Mãe é aquela
criatura mística que já nasce sabendo onde está a tampa do pote que você não
achou, mesmo depois de abrir o armário três vezes.
Ela tem o dom
da premonição: “Leva o casaco, que vai esfriar.” — e adivinha? Esfriava. Ela
poderia ganhar dinheiro na meteorologia, mas prefere usar seus poderes para
detectar febre com as costas da mão.
Mãe é a única
pessoa no mundo que consegue assustar com uma ameaça do tipo: “Engole esse
choro, senão eu te dou motivo pra chorar.”
E a gente
engole. Porque mãe, quando fala, não dá opinião — dá decreto.
Toda mãe
brasileira também é fluente em passivo-agressivo. Quem nunca ouviu: “Na volta a
gente compra”?
Essa frase,
inclusive, mora nos nossos corações junto com aquele “Eu vou contar até
três...” que fazia a gente repensar toda a rebeldia em questão de segundos.
E tem aquela
clássica que resume bem o amor materno: “Você não é todo mundo.”
Não, mãe. A
gente não é. Porque todo mundo pode até ter uma mãe, mas igual à nossa? Jamais.
Aliás, elas já
salvaram mais vidas com a frase “Leva uma blusa” do que muito super-herói por
aí.
E o que dizer
daquele “Se eu for aí e achar...”? Essa, sim, é uma ameaça que poderia resolver
conflitos internacionais. Com apenas uma frase, ela bota ordem no mundo (ou no
armário).
Mãe é consolo,
bronca e lanche, tudo ao mesmo tempo. É abraço que cura uma dor que nem a
medicina entende. É a pessoa que te conhece só pelo barulho do passo. E, mesmo
quando você cresce, ela ainda diz: “Enquanto morar debaixo do meu teto...”
E você percebe
que o teto nunca é só a casa — é a vida dela, aberta pra te proteger.
Por tudo isso,
neste Dia das Mães, a gente só quer dizer:
Desculpa por
ter escondido a toalha molhada dentro do guarda-roupa.
Desculpa por
não ter atendido na primeira vez que você chamou.
E obrigado —
por cada vez que você chamou mesmo assim.
Feliz Dia das
Mães. E sim, vou levar o casaco.